Quanto Custa Realmente Comprar um Imóvel em Leilão?
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Quanto Custa Realmente Comprar um Imóvel em Leilão?

Todos os custos de comprar imóvel em leilão, além do lance.

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A armadilha do valor de licitação

A primeira reacção de quem descobre um apartamento em leilão por €75.000 quando o preço de mercado seria €110.000 é sentir que encontrou uma pechincha de €35.000. O cálculo está correto, mas incompleto. Para saberes quanto vais efectivamente gastar até teres as chaves na mão tens de somar à licitação vencedora pelo menos cinco componentes de custo que são esquecidos com frequência: IMT, Imposto do Selo, emolumentos de registo, despesas notariais e eventuais custas judiciais.

Neste guia fazemos as contas a um cenário real de 2026 e explicamos de onde vem cada linha. No final, terás uma fórmula que podes aplicar a qualquer leilão.

Caso prático: apartamento T2 em Setúbal adjudicado por €75.000

Para dar exemplos concretos, vamos assumir que adjudicaste um apartamento T2 em Setúbal por €75.000, para habitação secundária (não é a tua casa principal). Eis o que pagas além do lance.

1. IMT — Imposto Municipal sobre Transmissões Onerosas

O IMT incide sobre o valor mais elevado entre o preço pago e o Valor Patrimonial Tributário (VPT). Para habitação secundária em 2026, as taxas progressivas aplicáveis em Portugal Continental são:

  • Até €101.917: 1%
  • €101.917 a €139.412: 2%
  • €139.412 a €190.086: 5%
  • €190.086 a €316.772: 7%
  • Acima: 8% de taxa única

Com €75.000, ficas na primeira escala: IMT = €750. Se fosse habitação própria permanente e o VPT/preço estivesse até €101.917, haveria isenção — mas no nosso cenário pagas.

2. Imposto do Selo

Taxa fixa de 0,8% sobre o valor da transmissão. No nosso exemplo: €600. Este imposto é liquidado simultaneamente com o IMT, no portal das Finanças, antes da escritura.

3. Emolumentos de registo predial

A inscrição da aquisição na Conservatória do Registo Predial tem um custo fixo de aproximadamente €250 (valor indicativo 2026). Se pedires predial online pelo Casa Pronta, podes pagar menos (cerca de €225 incluindo escritura).

4. Escritura e honorários notariais

No caso de leilão judicial, a formalização é feita por título emitido pelo agente de execução (ou administrador de insolvência), que substitui a escritura. Os emolumentos rondam os €200–€400. Para leilão fiscal, a escritura é no Casa Pronta (~€225) ou em notário (~€500).

5. Custas judiciais e taxa de justiça

Em leilões judiciais existe uma pequena taxa de justiça associada à entrega do título (cerca de €100–€150). Nos fiscais, normalmente incluídos nos emolumentos.

Soma total: a fórmula

Juntando tudo para o nosso caso de €75.000:

  • Licitação: €75.000
  • IMT: €750
  • Imposto do Selo: €600
  • Registo: €250
  • Título/escritura: €300
  • Taxa de justiça: €125
  • Total: €77.025 ? 2,7% acima da licitação.

Para valores mais elevados o peso relativo é mais pesado. Num imóvel de €200.000 para habitação secundária, por exemplo, o IMT sobe para cerca de €8.000 (escalão dos 5%), Imposto do Selo €1.600, resto idêntico — total próximo de €210.000, ou 5% acima. Em €400.000, o peso chega aos 8–9%.

Custos "escondidos" que podem aparecer depois

Os cinco itens acima são os obrigatórios. Há três categorias extra que merecem atenção:

  • IMI em atraso: em imóveis penhorados, pode haver várias anuidades de IMI por pagar. Embora muitos processos saneiem esta dívida, verifica na caderneta antes de licitar.
  • Quotas de condomínio: as dívidas do anterior proprietário podem transitar (artigo 1424.º do Código Civil). Pede à administração do condomínio uma declaração do valor em dívida antes de licitar.
  • Obras: muitos imóveis em leilão estão desabitados há anos. Orçamenta 5–15% do valor de compra para reabilitação mínima (canalizações, elétrica, pintura).

Ferramentas para fazer as contas

No dashboard do Martelo, a calculadora de investimento permite simular o custo total de um imóvel em leilão, comparar com o valor de mercado estimado, e calcular o yield bruto/líquido se pensas em arrendar. Útil para cruzar em segundos se um leilão compensa, considerando todos os impostos.

Quando "desconto de 30%" deixa de ser desconto

Se o "valor de mercado" do teu imóvel é €110.000 e adjudicas por €75.000, o custo total já vimos ser ~€77.000. Resultam €33.000 de diferença (30%) — boa margem para investimento. Mas: se o imóvel precisar de €15.000 de obras, e se tiveres de pagar €3.000 de IMI e condomínio atrasados, a margem real fica em €15.000 (13,6%). Ainda bom negócio, mas já não "pechincha".

A regra prática: um leilão só é realmente vantajoso quando o custo total fica pelo menos 20% abaixo do valor de mercado comparável, depois de somados todos os impostos e obras. Abaixo disso, a diferença de margem desaparece no risco.

Resumo do checklist antes de licitar

  1. Confirma o VPT (valor patrimonial) na caderneta predial.
  2. Calcula o IMT pela tabela certa (habitação própria/secundária, rústico, urbano, terreno).
  3. Soma Imposto do Selo (0,8%) e registo (€250–€300).
  4. Prevê escritura/título (€200–€500).
  5. Pede declaração de dívidas de condomínio e IMI.
  6. Orçamenta obras mínimas.
  7. Faz o total e compara com o valor de mercado num portal imobiliário.

Se tudo somado ficas 20%+ abaixo do mercado, avança. Se ficas a menos de 10%, considera se o esforço compensa comparado com uma compra tradicional.

Para conhecer a diferença entre leilões judiciais e fiscais — uma variável que afecta os custos — vê o nosso guia Leilões fiscais vs judiciais: qual a diferença.

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